quarta-feira, agosto 13, 2014

OLHOS CHEIOS DE VIDA





Hoje, quando Eduardo Campos acordou, provavelmente sentiu falta de sua esposa que estivera consigo até a noite anterior no Rio de Janeiro. Deve ter sentido falta de seu bom dia e do cheiro de bebê de seu último filho, Miguel, de 7 meses, que tinha enriquecido sua vida. Quem sabe tenha ligado pra mãe para dizer que adorou o presente do dia dos pais e confessado que ficou muito emocionado com a linda homenagem que seus filhos lhe fizeram no último domingo (vídeo abaixo).
Talvez tenha ligado para Recife querendo saber se sua esposa havia chegado bem da viagem. Só depois, mais tranquilo, tenha tomado um bom café da manhã (quiçá resistindo ao pudim que desejara para preservar sua saúde). Depois deve ter avaliado a repercussão na mídia de sua entrevista, confirmado a opressiva agenda de compromissos e desejado bom voo ao comandante.
Um dia normal, ordinário (se é que existem dias ordinários).
Contudo, há coisas que simplesmente não estão na agenda, fogem de nosso controle. A morte é assim. Raramente dá aviso prévio, jamais pede licença e sempre chega, cedo ou tarde, na áspera tristeza da solidão ou na euforia caliente da paixão, no hospital ou na festa de bodas, às 11:13 de uma manhã ensolarada ou às 23:59 de uma noite soturna, no anonimato ou sob holofotes das celebridades.
Quando chega o dia, não importa quem estava lhe esperando, nem quantas pessoas dependem de você, quantos e-mails você não respondeu, quantas mensagens do WhatsApp não leu, se não pagou a conta de luz, se esqueceu de avisar sobre os documentos, sobre os remédios ou sobre a herança ou se não deu tempo de acabar o clareamento dental, de se despedir, pedir perdão ou dizer eu te amo.
Simplesmente acontece, como um improvável raio no meio de uma tímida chuva, como uma brisa fria e suave em um dia calorento ou como uma surpreendente flor que nasce no asfalto.
Não obstante isso, temos dificuldades de lidar com o assunto, com nossa própria finitude corporal. 
Somos seres imortais, dotados de um Espírito eterno, mas solenemente ignoramos isso.
Ficamos chocados com a morte porque não levamos a sério a espiritualidade. 
Por isso é comum ouvirmos de pessoas que passaram por situações extremas, de claro risco de vida, que no pior momento pensaram: não acredito que isto está acontecendo comigo!
É como se a morte fosse encarada como uma esquisitice fantasiosa que não cabe em nossa realidade. 
Mas a morte é um fenômeno natural, uma travessia. Gostemos ou não todos temos encontro marcado com a dita cuja.
A morte de uma figura pública, carismática, transbordando de sonhos e com belos olhos cheios de vida, causa comoção e reações não só diversas, mas também extremas.
Há quem chore como se fosse por um amigo, há quem desista de viajar de avião, há quem queira ver os corpos, a cobertura do velório, o depoimento de amigos, há quem queira turbinar audiência, fazer piadas, elucubrar divagações filosóficas ou simplesmente entregar-se ao medo e a paralisia do choque.
Diante de uma comoção, todos ficamos conectados, irmanados na essência de nossa humanidade, ligados por um fio tênue que nos iguala como portadores de uma vida valiosa que as vezes desperdiçamos com pesos inúteis, com sentimentos mesquinhos e sem qualquer bússola ética e alicerce espiritual. 
Na entrevista de ontem no Jornal Nacional Eduardo Campos estava falando como candidato ao cargo máximo do país. Pronunciou-se de acordo com a ocasião e contexto.
Fiquei pensando se ontem, no minuto derradeiro da entrevista, ele soubesse de seu destino hoje, se tivesse de mandar uma mensagem final sobre sua vida, o que ele teria dito?
E se fôssemos nós, que mensagem mandaríamos?
Será que falaríamos de coisas materiais, de poder, de futilidades ou falaríamos das coisas que realmente importam na vida? Será que usaríamos o tempo final para atacarmos inimigos, reclamarmos da sorte ou nos dirigiríamos com ardor a quem mais amamos? 
Essa é uma pergunta que cabe a todos nós, pois ninguém sabe quando virá a última oportunidade.
Perdemos tempo demais com o que menos interessa e quando menos se espera o tempo acaba.
Afinal, mesmo corações cheios de sonhos param de bater, mesmo olhos cheios de vida um dia se fecham, pois raios, brisas e flores improváveis também fazem parte do jardim da vida.
Que sabíamos regar nosso jardim.
Que Deus abençoe Eduardo Campos e sua família.

domingo, março 09, 2014

LIMITES DA LIBERDADE RELIGIOSA

“A tolerância é a caridade da  inteligência”
                                                                       (Jules Lemaitre)
                                  

Fui voluntário do Centro de Valorização da Vida – CVV, que trabalha com prevenção ao suicídio.
Um dos atendimentos mais marcantes que fiz foi de uma jovem (talvez pré-adolescente). Ela ligou porque estava arrasada, profundamente triste e desorientada. Informou-me que há alguns dias tinha recebido a notícia de que o demônio falava através dela. Que estava sempre com ela e, por isso, precisava se tratar. O pastor que lhe atendia era duro e rezava entusiasmada para afastar o “encosto”.
A jovem não tinha sequer vestígios de entusiasmo.
Tinha medo.
Não só.
Em verdade, estava péssima. Sentia-se culpada e confusa. Não entendia porque ela era porta-voz de uma figura tão nefasta. Queria entender porque tinha atraído o mal e este passara a fazer parte de sua vida.
Havia dias que não dormia, porque tinha medo, tristeza, sentia-se sozinha.
A mãe e o pastor rezavam, às vezes no seu quarto, e ela sentia medo de quem poderia estar ali presente, no âmbito do invisível. Era perturbador cogitar que depois ficaria sozinha, reclamava.
Sempre amou a Deus, mas se sentia injustiçada, miseravelmente abandonada às garras de forças que não conhecia e pelas quais não tinha qualquer tipo de afeição.
Como voluntário do CVV ouvi-a com atenção, usando de técnicas específicas, da teoria de atendimento chamada de centrada na pessoa, do brilhante e saudoso psicólogo Carl Rogers.
Na condição de voluntário da ONG e por dever de lealdade a seus princípios (dentre os quais de não seguir determinada religião) não podia falar sobre religião.  
Foi um atendimento difícil e de certa forma frustrante – porque não podia trabalhar aspectos da espiritualidade -, embora a jovem tenha desligado serena e mais equilibrada.
Não sei o que aconteceu nos meses e anos que se seguiram.
Ela nunca mais ligou no meu plantão e pouco tempo depois tive de sair do CVV por conta da assunção de compromissos profissionais.
Do ponto de vista espiritual, o caso apenas demonstra ignorância sobre o fenômeno mediúnico. Poderia ser abordado de outra forma, sem instigar medo, tristeza ou culpa na jovem. De qualquer forma, é a crença abraçada por ela. E é nosso dever respeitar.
Analisando jurídica e genericamente a questão, a postura do pastor está dentro do direito constitucional da liberdade de manifestação religiosa. A jovem – enquanto fiel – estava recebendo a orientação espiritual da religião que decidiu seguir (isto considerando que estava manifestando o desejo de assim fazê-lo, o que não ficou claro para mim).
Ou seja, se a pessoa resolve seguir determinada religião, em tese, concorda ou aceita submeter-se a seus ritos, crenças e manifestações de fé. Se não concorda, tem o direito de afastar-se.
Pois bem.
Situação bem diferente ocorre quando as manifestações de fé de determinada religião revelam-se agressivas e repletas de preconceitos e discriminações contra outras denominações religiosas e a seus fiéis.
A questão envolve pontos obscuros e polêmicos, que ganharam luzes em importante e recente atuação do Ministério Público Federal – MPF, após pedido de providências de entidade associativa ligada a religiões afrodescendentes.
Em fevereiro de 2014, o MPF expediu uma recomendação para que o Google retire do seu canal de vídeos Youtube vários vídeos que ostentam ofensas a tradições religiosas afrodescendentes. Dentre eles, o MPF lista:
·         Entrevista com encosto – demônio na criança sexta-feira forte ex macumbeira;
·         Ex-pai de santo se converte e aprende a sacrificar para o deus vivo;
·         Jovem ex-pai de santo manifesta um demônio na hora da Reconciliação;
Basicamente são vídeos de denominações evangélicas que associam crenças dessas tradições a ligações “com o demônio”. As principais vítimas são os fiéis do Candomblé e Macumba. Mas é comum que manifestações deste tipo ataque também o Espiritismo.
Juridicamente o foco do debate é o confronto de alguns princípios e garantias constitucionais fundamentais, tais como: a liberdade de expressão, a proibição de preconceito, discriminação e o respeito às manifestações religiosas.
A questão envolve algumas reflexões. Até que ponto um representante de uma religião tem o direito de atacar de forma hostil e contundente outra religião e seus crentes? Ele estaria protegido pela garantia constitucional da livre manifestação do pensamento e pela proibição do Estado intervir na organização e conteúdo das religiões?
Primeiramente é importante anotar que guardo respeito pelos evangélicos. A maioria das denominações evangélicas praticam suas crenças de forma digna e tem um caudaloso rol de serviços prestados à sociedade, sobretudo em favor de pessoas que foram dadas como “perdidas”.
Portanto, a minha posição não é de generalizar a crítica e de abominar nossos irmãos reformistas.
A questão é outra. E é imprescindível ajustar o foco para não desbordar para discussões estéreis. O exame passa por aferirmos até que ponto certas condutas tem proteção legal e constitucional e quando passam a categoria de ilícitos, por eventuais abusos.
Penso que o Ministério Público Federal foi muito feliz em sua recomendação.
Primeiro porque não há direito absoluto, mesmo aqueles que são considerados fundamentais por nossa Constituição.
Não se pode, portanto, sob o argumento de exercício de um direito fundamental violar de forma dura e sistemática outros direitos e garantias também fundamentais, como – no caso – o de respeito e tolerância por outras manifestações religiosas, o de proteção a toda forma de preconceito e discriminação.
O que se vê nesses vídeos é um ataque desrespeitoso a outras crenças e a seus fiéis, que são amplamente desqualificados como seres humanos, pois supostamente portadores de vínculos nefastos com o mal, com o que há de pior e mais repugnante.
A gravidade ganha robustez na medida em que estes vídeos servem como propaganda religiosa, como forma de espalhar o medo e atrair mais fiéis.
Em verdade, as falas desses vídeos podem tipificar facilmente violações a direitos humanos, inclusive a tratados internacionais em que o Brasil é signatário.
Portanto, dúvida não resta de que este tipo de manifestação da liberdade de expressão encontra limitação constitucional e, portanto, deve ser rechaçada, pois desrespeita ampla e gravemente outras crenças religiosas.
Sob qualquer ângulo que se analise estes vídeos são violadores da liberdade de manifestação religiosa, pois são opressivos, incitam a desigualdade, o preconceito e a discriminação, o que é peremptoriamente proibido por nossa Constituição Federal, pelo Estatuto da Igualdade Racial e por tratados internacionais assinados pelo Brasil.
Na recomendação, o MPF fundamenta seu pedido no art. 3º e 5º, inciso XLI, da Constituição Federal. O primeiro que estabelece como objetivo fundamental da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade ou quaisquer outras formas de discriminação. O segundo dispositivo constitucional ordena a punição de qualquer forma de discriminação atentatória dos direitos e garantias fundamentais.
Fundamenta sua recomendação também no Estatuto da Igualdade Racial (Lei n. 12.288/2010) que no seu artigo 23 dispõe que é “inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos.” Usa o art. 26 que visa coibir a utilização de meios de comunicação social para difusão de ódio ou ao desprezo por motivos fundados na religiosidade de matrizes africanas.
Por fim, remete ao art. 140, §3º, do Código Penal, que trata do crime de injúria, quando a mesma consiste na utilização de elementos referentes à religião.
No Espiritismo aprendemos que devemos respeitar todas as crenças. Que mesmo no confronto de idéias, o debate deve ser lhano, garbo, urbano, sem se deixar tentar pelo ataque e desrespeito.
Não se pode falar em desenvolvimento sadio da espiritualidade humana quando nossas práticas e falas machucam, humilham, desrespeitam e incitam à discriminação e ao preconceito.
É tempo de desenvolvermos a tolerância pela diversidade e refletirmos com a seguinte questão: será que somos tolerantes com a intolerância?
Ah, infelizmente até esta data (09.03.2014), os vídeos ainda estão disponíveis no Youtube.


domingo, dezembro 29, 2013

A Força do Pensamento por Diversos Convidados - Programa Transição 214



Esse vídeo traz importantes abordagens sobre a força do pensamento.
Selecionei-o justamente neste momento, porque associa pensamento à mudanças, tema típico do reinício de ciclo na forma de um novo ano.

sexta-feira, novembro 15, 2013

PALAVRA BRANDA


"A resposta branda desvia o furor, mas a  palavra dura suscita a ira" (Provérbios - 15:1).




                        Não há pais que não se emocionem com as primeiras palavras de seus rebentos, ainda que trôpegas, imprecisas e arranhadas.
                        O desabrochar da fala humana toca-nos também porque é uma marca indelével de nossa condição humana. É verdade que a comunicação não é atributo exclusivo dos humanos. Outros animais também se comunicam. Contudo, apenas nossa espécie desenvolveu uma fala tão complexa, rica e que foi e é um grande propulsor de nossa evolução.
                        Na medida em que amadurecemos e nos instruímos vamos dando uso diverso as nossas palavras. Há quem transforme palavras em música, há quem as combine em lindas poesias, há quem as organize coerentemente na beleza atraente de grandes histórias literárias, mas há quem apenas as use para a comunicação cotidiana, sem outras pretensões.
                        Mas todos nós – por motivos e em momentos distintos – utilizamos a palavra para machucar, para agredir, para diminuir outras pessoas, para inflamar a ira. Por um desvio evolutivo, a palavra passou também a ser arma e das mais letais. Pode provocar danos sucessivos, cumulativos e profundos, embora nem sempre se possa ver o sangramento vertido em lágrimas.
                        E aqui o ponto.
                        Por que tantas pessoas utilizam a abençoada capacidade de se comunicar para espalhar sentimentos vis, para desequilibrar, para atacar impiedosamente outras pessoas, para suscitar a ira?
                        Será esta a finalidade da fala humana?                      
                        Por certo não.
                        Ao darmos uso equilibrado à palavra, embelezamos o mundo e a nossa vida. Afinal, não é disso que vivem os grandes artistas, pensadores, cientistas e mestres de todos os tempos? Eles trabalham a fala para produzir arte, filosofia, ciência e espiritualidade sublimando nossos sentidos, emoções e a razão.
                        Por outro lado, quando duas pessoas se exasperam na suas falas, pode-se sentir o peso da atmosfera ao redor e o odor fétido da fúria a impregnar palavras cortantes. As emoções entram em ebulição, os instintos se excitam, a capacidade de pensar serenamente entra em crise e aos poucos perde-se o controle do que está acontecendo e também das conseqüências futuras de palavras faladas no calor da discussão.
                        Então, ainda que sob ataque da fúria alheia ou do mundo, não a alimente a ira alheia com revides inadequados e destemperados. Contenha seu instinto ao lembrar-se da sábia lição: a resposta branda desvia o furor.

                        

domingo, agosto 25, 2013

VEGETARIANISMO E ESPIRITISMO - UM DIÁLOGO POSSÍVEL E NECESSÁRIO



Pela primeira vez abro espaço neste blog para participação de outros escritores.
A convidada é a psicóloga - e querida amiga - Claudia Gelernter, que nos traz um excelente artigo sobre um tema pouco estudado e debatido no meio espírita.
Por dever de lealdade, devo dizer que não sou vegetariano. Sigo buscando, em transição. 
Não obstante isso, o fundamento ético da proposta é granítico e precisa ser refletido.
O vídeo acima ilustra o tamanho do desafio e sua importância, complementando os argumentos de Claudia.



VEGETARIANISMO E ESPIRITISMO - UM DIÁLOGO POSSÍVEL E NECESSÁRIO
Por Claudia Gelernter

Em se tratando de saberes e ações humanas, não existe assunto que não possa (e não deva) ser analisado sob o enfoque Espírita, uma vez que se trata de Doutrina fundamentalmente filosófica, reflexiva, profunda, evolutiva e universal.

 Como comenta o Dr. André Luiz Peixinho (FEEB), se compararmos o mundo com um colar de contas, considerando que cada uma de suas peças representa os saberes humanos (Medicina, Psicologia, História, Filosofia, Arte, etc.), entenderemos que o Espiritismo não se enquadra na posição de mais uma destas contas, mas sim como o cordão que as transpassa, devendo ser considerado, portanto, ferramenta essencial para a análise de todos os fenômenos por nós produzidos, sejam eles de ordem individual, social ou ambiental.

 Sendo como é [e a partir dos pressupostos que nele se encerram], o Espiritismo nos convoca a um pensamento racional, voltado à busca de respostas congruentes, de acordo com o tempo histórico que vivemos e em comunhão com as ciências e padrões ético-morais genuinamente cristãos.

 Diante deste ponto fundamental, sentimo-nos impulsionados a discutir, embora que de forma ainda superficial, a questão do vegetarianismo como opção alimentar, e - mais que isso – como uma ‘filosofia de vida’.


O VEGETARIANISMO DISCUTIDO EM O LIVRO DOS ESPÍRITOS

 O Espiritismo nasce para o mundo em abril de 1857, através de um livro contendo perguntas e respostas, intitulado “O Livro dos Espíritos”. Nele, encontramos diversas questões, referentes aos mais variados assuntos, respondidas pelos Espíritos Superiores assim como por Allan Kardec que, de forma brilhante, enriquece a obra com seus apontamentos lúcidos, coerentes.

 Considerando a alimentação um tema relevante, Kardec propõe a seguinte pergunta aos Espíritos:
 723. A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?

 E os Espíritos respondem:
“Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização.”

Se analisarmos esta questão em separado de outras que se seguem e que serão destacadas mais adiante, entenderemos que é lícito – necessário, até - que o homem se alimente da carne animal a fim de conseguir as energias necessárias para a execução de seu trabalho no mundo.

 Entretanto, como toda a obra Espírita genuína, não devemos e nem podemos prescindir do caráter evolutivo dela mesma. Disse Kardec que o Espiritismo deveria ser revisto e ajustado aos conhecimentos trazidos pela ciência humana, devendo caminhar de mãos dadas com ela, desde que seus axiomas [do Espiritismo] não fossem feridos.

 E, quais são estes axiomas?

 São, basicamente: o amor como caminho; a evolução como meta; a razão como bússola e a reencarnação como instrumento pedagógico.

 Pois bem, em se tratando de questões alimentares, sabemos que a ciência da nutrição é bastante recente na história humana. Só em 1902 surgiu o Curso de nível Universitário na formação de dietistas – os precursores da nutrição - e é somente em 1946 que a Organização Mundial da Saúde (OMS), com sede em Genebra, inicia a divulgação e execução de programas específicos ligados à produção e estudos sobre alimentos, marcando o aperfeiçoamento profissional da nutrição.

 Portanto, não se trata de ciência existente na época de Kardec. Sendo assim, seria impossível aos homens encarnados naquele tempo o acesso aos conhecimentos nutricionais necessários a fim de desvendarem as propriedades dos alimentos disponíveis na natureza.

 Só muito recentemente esta ciência demonstrou que encontramos no reino vegetal todos os nutrientes necessários para a promoção e manutenção de nossa saúde, sendo desnecessário a uso de produtos de origem animal em nossa dieta cotidiana.

 Portanto, entendemos que seria leviano da parte dos Espíritos da codificação, afirmarem que o Espiritismo condena o consumo de carne, pois as informações sobre as alternativas nutricionais eram quase inexistentes naquele tempo.

 Entretanto, isso não se aplica nos dias de hoje.

 Além deste fator, devemos levar em conta o nascimento de outras ciências que, assim como a nutrição, surgiram posteriormente à formação do Espiritismo e que dizem respeito ao meio ambiente.

 Cabe-nos, então, seguir adiante no próprio Livro dos Espíritos, agora na questão 724 proposta por Kardec:

 724. Será meritório abster-se o homem da alimentação animal, ou de outra qualquer, por expiação?
“Sim, se praticar essa privação em benefício dos outros. Aos olhos de Deus, porém, só há mortificação, havendo privação séria e útil. Por isso é que qualificamos de hipócritas os que apenas aparentemente se privam de alguma coisa.”

Diversos estudos sobre questões ambientais têm apresentado evidencias robustas de que o consumo de carne animal acaba por gerar problemas de ordem ambiental, além de complicações físicas para o consumidor.
 Em pesquisa realizada pela nutricionista Aline Martins de Carvalho, da FSP (Faculdade de Saúde Pública da USP), descobriu-se que “o consumo excessivo de carne foi verificado em grande parte da população pesquisada, com aumento significativo ao longo dos anos, relacionado com pior qualidade da dieta em homens e considerável impacto ambiental”. Concluiu ainda, que “as carnes vermelhas e processadas têm sido relacionadas com aumento do risco de câncer de cólon e reto, doenças cardiovasculares, diabetes e ganho de peso” (p. 01, 2012). Tal dissertação resultou no artigo científico “Excessive meat consumption in Brazil: diet quality and environmental impacts”, publicado na revista científica inglesa Public Health Nutrition.



 O IMPACTO AMBIENTAL E O CONSUMO DE CARNE


 Apontados como grandes vilões do aquecimento global, a pecuária e o consumo de carne estão sendo cada vez mais debatidos por biólogos, ambientalistas, vegetarianos, além de diversos movimentos sociais.


 Em entrevista cedida ao Instituto Humanitas, o biólogo Sérgio Greiff explica que “A carne é responsável por grande impacto ambiental. Áreas naturais (florestas, matas, cerrados, campinas etc.) precisam ser devastadas para a abertura de pastos. Muitas pessoas associam a devastação nas florestas tropicais ao corte de madeira. Na verdade, a contribuição das madeireiras para essa devastação nem se compara à devastação causada pela pecuária, pois as madeireiras selecionam apenas as árvores que interessam para o corte. Já o pecuarista precisa se livrar das árvores indiscriminadamente”.


Diante destas evidências, a resposta oferecida pelos Espíritos na questão 724 de O Livro dos Espíritos coloca-nos em cheque, uma vez que deixa claro que a privação da carne em prol do coletivo é relevante, meritória.


 Levando-se em conta que nos tempos de Kardec os conhecimentos sobre nutrição eram totalmente restritos, privar-se de carne consistia, portanto, em ação grandiosa, altamente altruísta. Porém, nos dias de hoje, com todos os recursos de que dispomos, entendemos que tal ação sai do âmbito da ampla generosidade para tornar-se um dever.


 Além disso, realizando pequeno exercício filosófico, devemos alinhar nossos saberes com a questão de amarmos Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. [ensinamento fundamental proposto pelo Cristo como sendo o resumo da Lei e dos Profetas].


 Como amar a Deus se confinamos, privamos e matamos suas criaturas pelo prazer efêmero de nosso paladar, ocasionando tantos transtornos à nossa volta?



 VEGETARIANISMO E ESPIRITISMO - UM DIÁLOGO NECESSÁRIO

 Outra munição frequentemente utilizada pelos Espíritas ainda defensores do carnivorismo apoia-se no fato de que o médium brasileiro Francisco Cândido Xavier consumia carne, enquanto encarnado.

 Construindo suas idéias em premissas infundadas, afirmam: “Chico Xavier era carnívoro e Hitler era vegetariano, então...”

Com relação a esta situação, temos alguns pontos a considerar.

 Primeiramente, necessário compreender que Hitler não se tornou vegetariano por questões morais, mas sim por conta de um problema de saúde, na área gástrica, segundo seus biógrafos. Conta-se, ainda que ele “roubava” carne da cozinha, costumeiramente, o que denota seu conflito nesta questão.


 Quanto ao médium, faz-se necessário separar a obra ditada pelos Espíritos de suas ações, pois temos, ao longo de seus escritos mediúnicos, inúmeros apontamentos em defesa do vegetarianismo.

 Vejamos:

 O Espírito Irmão X, em seu texto intitulado “Preparação para a Morte”, buscando cooperar com os irmãos que logo mais atravessarão os portões do além túmulo, inicia dizendo sobre a necessidade primordial de nos abstermos do consumo de produtos de origem animal a fim de facilitarmos nosso ingresso no Plano Espiritual. Recomendou-nos ele:


“Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia.
 Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais.
 O cemitério na barriga é um tormento, depois da grande transição.
 O lombo de porco ou o bife de vitela, temperados com sal e pimenta, não nos situam muito longe dos nossos antepassados, os tamoios e os caiapós, que se devoravam uns aos outros.”


No livro Missionários da Luz, capítulo 4, o Espírito André Luiz, descreve o ambiente de um matadouro aos leitores, dizendo estar junto de Alexandre, um benevolente instrutor, que o faz compreender a questão do vampirismo espiritual, naquele caso resultante das ações criminosas dos homens junto aos animais. Comenta o instrutor de André que no futuro da humanidade o estábulo será tão sagrado quanto um lar terrestre.

 Entretanto, comenta que na atualidade, infelizmente “Os seres inferiores e necessitados do Planeta não nos encaram como superiores generosos e inteligentes, mas como verdugos cruéis”.

Oras, nem poderia ser de outra forma, dada a maneira como tratamos estes seres.

 Alexandre continua seus ensinamentos, afirmando que nossos irmãos animais “aceitam o cutelo no matadouro, quase sempre com lágrimas de aflição, incapazes de discernir com o raciocínio embrionário onde começa a nossa perversidade e onde termina a nossa compreensão”.

E, colocando-nos de frente com a questão paradoxal que nos envolve a existência, comenta:

“Se não protegemos nem educamos aqueles que o Pai nos confiou, como germens frágeis de racionalidade nos pesados vasos do instinto; se abusarmos largamente de sua incapacidade de defesa e conservação, como exigir o amparo de superiores benevolentes e sábios, cujas instruções mais simples são para nós difíceis de suportar, pela nossa lastimável condição de infratores da lei de auxílios mútuos?”

Neste ponto nevrálgico, relembramos a Oração Pela Paz, atribuída ao querido Francisco de Assis, que nos convoca a sermos instrumentos de paz, de amor.

 Parece-nos impossível conseguirmos apoio do mais alto se nos posicionamos nas esferas mais baixas da vida.

 E, colocando-nos a par sobre nosso papel diante desta urgente questão, afirmou que “(...) na qualidade de filhos endividados para com Deus e a Natureza, devemos prosseguir no trabalho educativo, acordando os companheiros encarnados, mais experientes e esclarecidos, para a nova era em que os homens cultivarão o solo da Terra por amor e utilizar-se-ão dos animais, com espírito de respeito, educação e entendimento”.

Neste trecho fica explicito a convocação ao trabalho de educação dos seres, levando as informações de que dispomos, a fim de alterarmos o cenário no mundo.

 Prosseguindo com nossos estudos, citaremos agora o Espírito Emmanuel, no livro “O Consolador”, com suas explicações que, por serem longas, porém necessárias, serão copiadas abaixo, na íntegra:

“A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes consequências, do qual derivaram numerosos vícios da nutrição humana.
 É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esse valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos.
 Consolemo-nos com a visão do porvir, sendo justo trabalharmos, dedicadamente, pelo advento dos tempos novos em que os homens terrestres poderão dispensar da alimentação os despojos sangrentos de seus irmãos inferiores.”


Poderíamos destacar ainda outros trechos de textos assinados por Espíritos que ditaram suas idéias através de Francisco Candido Xavier, porém consideramos desnecessário, uma vez que praticamente todos buscaram nos impulsionar para a mesma direção – a do vegetarianismo consciente.

 Entendemos, ainda, que o fato de ter consumido carne durante sua última existência, em nada diminuiu a grandeza do trabalho realizado por Francisco Cândido Xavier, que deixou certamente vasto legado de informações e exemplos superiores.

 Cabe-nos, entretanto, como nos ensinava o mestre comum, Allan Kardec, seguir adiante, de mãos dadas com os novos saberes que nos são apresentados, reforçados e confirmados por diversas áreas do conhecimento humano.

 Ademais, como destacado anteriormente, o Espiritismo, em seu aspecto moral de justiça, amor e caridade, sempre condenou os excessos. Uma vez comprovada a não necessidade da morte do animal para nosso sustento, devemos trilhar outros caminhos, mais sensatos, corretos, éticos.

 Por fim, compreendemos que a evolução do planeta passa, invariavelmente, pela questão alimentar.

 Este salto, importante e fundamental, ocorrerá a partir da mudança de cada um, reconhecendo nos animais o próprio Criador em sua expressão de amor e benevolência.

 E então, congruentes com a Lei Maior, certamente trilharemos por caminhos mais tranquilos, repletos de cooperação e crescimento.
 Trabalhemos por isso!


 Claudia Gelernter
 claudiagelernter@uol.com.br

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 CARVALHO, A. M.; Tendência temporal do consumo de carne no município de São Paulo: estudo de base populacional – ISA Capital 2003/2008; dissertação de mestrado; FSP – USP; 2012. Disponível em http://www5.usp.br/17464/estudo-da-fsp-relaciona-consumo-excessivo-de-carne-com-impacto-ambiental/acessado em 21 de agosto de 2013.
 HUMANITAS; O impacto ambiental do consumo de carne. Entrevista especial com Sérgio Greif e depoimento de Sonia Montaño, disponível em http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/10451-o-impacto-ambiental-do-consumo-de-carne-entrevista-especial-com-sergio-greif-e-depoimento-de-sonia-montano, acessado em 19 de agosto de 2013.
 KARDEC, A. O Livro dos Espíritos, FEB, Rio de Janeiro, 1994 – Questões 723 3 724.
 XAVIER, F. C.; O Consolador, por Emmanuel, Ed FEB, Rio de Janeiro, 21ª edição, 1998.
 _____________ Missionários da Luz, Espírito Andre Luiz, Ed. FEB, Rio de Janeiro, 2005.
 _____________ Treino para a Morte, Espírito Irmão X, Ed. FEB, Rio de Janeiro, 2002.
 


terça-feira, julho 30, 2013

UMA LINDA LIÇÃO SOBRE MORRER E VIVER



Gostaria de dizer para você que viva como  quem sabe que vai morrer um dia, e que morra como quem soube viver direito.
                                                           (Chico Xavier)


Em 2009, Zach Sobiech era um adolescente de 14 anos, da cidade de Lakeland, no estado de Minesota, Estados Unidos, quando foi diagnosticado com um câncer raro nos ossos, mais comum em crianças.
Seu tratamento envolveu 10 cirurgias e 20 sessões de quimioterapia. Não obstante o esforço, em março de 2012, os médicos tinham chegado ao limite do tratamento disponível. Ou seja, Zach – então com 17 anos – só teria mais um ano de vida.
O menino teve, então, de enfrentar um dilema para o qual ninguém está realmente preparado: o que fazer com seu último ano de vida?
O documentário acima mostra qual atitude que Zach escolheu e porque ele se tornou um sucesso mundial com sua música “Clouds”, que em poucas semanas se tornou um viral no Youtube e ultrapassou 4 milhões de visualizações, tendo, inclusive, ganhado versões cover de sua música de despedida, cantadas por celebridades americanas.
Segue trecho da música, em tradução livre:

We could go up, up, up (nós poderíamos ir pro alto, alto, alto)
And take that little ride (e dar aquele passeio)
And sit there holding hands (e sentar aqui dando as mãos)
And everything would be just right (e tudo ficaria bem
And maybe someday i’ll see you again (e talvez algum dia eu te verei de novo)
We’ll float up in the clouds and we’ll never see the end (vamos flutuar nas nuvens e nunca veremos o fim)
And we’ll go up, up, up (e iremos pro alto, alto, alto)
But i’ll fly a little higher (mas eu vou voar um pouco mais alto
We’ll go up in the clouds because the view is a little nicer (vamos por cima das nuvens, porque a vista de lá é melhor)
Up here my dear (porque aqui, meu amor)
It won’t be long now, it won’t be long now (não vai durar muito, não vai mais durar muito)

O jovem Zach deixou a matéria em 20 de maio de 2013 e um valioso testemunho sobre morrer e viver para os que ficam.

Poderia discorrer longamente sobre vários aspectos dessa bela história. Mas os leitores deste blog saberão refletir com os vídeos acima. Até porque o exemplo é mais forte que as palavras.




domingo, julho 28, 2013

HERMÍNIO C MIRANDA: UM PENSADOR DIFERENCIADO.





A razão escraviza todas as mentes que não são suficientemente fortes para a dominarem.
                                                           (George Bernard Shaw)


Os estudiosos do Espiritismo ainda sentem a perda recente de um dos mais profícuos pensadores espíritas: Hermínio C. Miranda, que desencarnou em 08 de julho de 2013, aos 93 anos.
Em minha avaliação pessoal – obviamente limitada e sujeita a erro – coloco-o ombreando pensadores de escol como os saudosos Herculano Pires e Hernani Guimarães Andrade. Não que estes sejam melhores do que tantos outros talentosos e brilhantes. São apenas diferentes, pela forma como construíram suas obras, todas alicerçadas em vastas pesquisas, experimentações e pontuadas com legítima originalidade, fugindo do lugar-comum para flertar com a vanguarda das possibilidades, das novas descobertas, de novéis especulações filosóficas e doutrinárias, sem perder conexão com a essência da doutrina.
Por isso, não poderia deixar de consignar esta singela homenagem a este ser humano que tão bem cumpriu sua missão nesta existência.
Desde a primeira obra que li desse autor, logo percebi que se tratava de um escritor diferenciado. Arguto em suas percepções, detentor de um refinado tirocínio que o habilitou a desenvolver um sólido senso crítico, a construir argumentos judiciosos e reconstruir histórias como poucos.
Profundo conhecedor das minúcias da mediunidade, foi referência teórica para milhares de médiuns e estudiosos.
Ganhou meu respeito, também, por nunca ter ficado confinado nos limites de sua área central de conhecimento. Transitava bem por outras áreas, não raro indo empoderar-se de sabedoria em literatura estrangeira, quase sempre desconhecida aqui, aspecto este que o fez trilhar também na senda de traduções para compartilhar tesouros com seus leitores e estudiosos.
Nunca buscou destaque, trabalhou silenciosamente como um escritor sério, compenetrado e versátil, fluindo espantosamente bem entre temas tão diversos, que só um conhecimento enciclopédico permite.
Segundo a Wikipédia[1], eis os títulos de sua obra:

·         A dama da noite (coleção "Histórias que os espíritos contaram")
·         A irmã do vizir (coleção "Histórias que os espíritos contaram")
·         A memória e o tempo
·         A reencarnação na Bíblia
·         A reinvenção da morte (incorporada ao livro As duas faces da vida)
·         Alquimia da mente
·         Arquivos psíquicos do Egito
·         As duas faces da vida
·         As mãos de minha irmã (coleção "Histórias que os espíritos contaram", anteriormente intitulado Histórias que os espíritos contaram)
·         As marcas do Cristo, publicada em dois volumes
·         As mil faces da realidade espiritual
·         As sete vidas de Fénelon (série "Mecanismos secretos da história")
·         Autismo, uma leitura espiritual
·         Candeias na noite escura
·         Com quem tu andas? (com Jorge Andrea dos Santos e Suely Caldas Schubert)
·         Condomínio espiritual
·         Cristianismo: a mensagem esquecida
·         Crônicas de um e de outro (com Luciano dos Anjos)
·         De Kennedy ao homem artificial (com Luciano dos Anjos)
·         Diálogo com as sombras
·         Diversidade dos carismas
·         Eu sou Camille Desmoulins (com Luciano dos Anjos), publicada também em francês com o título Je suis Camille Desmoulins
·         Guerrilheiros da intolerância
·         Hahnemann, o apóstolo da medicina espiritual
·         Lembranças do futuro (incorporada ao livro As duas faces da vida)
·         Memória cósmica
·         Nas fronteiras do além
·         Nossos filhos são espíritos
·         O espiritismo e os problemas humanos (com Deolindo Amorim)
·         O estigma e os enigmas
·         O evangelho gnóstico de Tomé
·         O exilado (coleção "Histórias que os espíritos contaram")
·         O mistério de Patience Worth (com Ernesto Bozzano)
·         O pequeno laboratório de Deus (anteriormente intitulada Negritude e genealidade)
·         O que é fenômeno anímico (série "Começar")
·         O que é fenômeno mediúnico (série "Começar")
·         Os cátaros e a heresia católica
·         Reencarnação e imortalidade
·         Sobrevivência e comunicabilidade dos espíritos
·         Swedenborg, uma análise crítica

Além destas, Herminio traduziu e comentou as seguintes obras:

·         A feira dos casamentos (de J. W. Rochester, psicografada por Vera Ivanova Kryzhanovskaia)
·         A história triste, publicada em três volumes (de Patience Worth, psicografado por Pearl Lenore Curran)
·         O mistério de Edwin Drood (de Charles Dickens, com final psicografado por Thomas P. James)
·         Processo dos espíritas (de Madame Pierre-Gaëtan Leymarie)


Por certo, a espiritualidade está em festa.
Que ele nos inspire e que outros sigam seu exemplo de amor ao estudo e ao Espiritismo.